Reunião Mediúnica Privativa
02/12/2006

Reunião Mediúnica Privativa

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Por que a Reunião Mediúnica deve ser privativa?


         "E perguntou-lhe Jesus dizendo: Qual é o teu nome? E ele disse:
         Legião, porque tinham entrado nele muitos demônios". (Lc; 8:30)
             
      Na apresentação do livro Desobsessão, Emmanuel, ao explicar a passagem acima citada, nos esclarece que Jesus, ao conversar fraternalmente com o obsesso, pergunta-lhe o nome; o médium, consciente da pressão que sofria por parte das Inteligências conturbadas e errantes, informa chamar-se "Legião" porque eles eram muitos. 
Acerca disso, Emmanuel esclarece que o Cristo entendia-se de forma simultânea com o médium e com as entidades comunicantes e, através desse processo, nos mostra que "desobsessão não é caça a fenômeno e sim trabalho paciente do amor conjugado ao conhecimento e do raciocínio associado à fé". E continua Emmanuel a explicação quanto à necessidade de "vulgarizar a assistência sistemática aos desencarnados (...) por intermédio das equipes de companheiros consagrados aos serviços dessa ordem ". 
André Luiz, ainda nesta obra, também reforça a colocação acima. Ao afirmar que "cada templo espírita deve e precisa possuir a sua equipe de servidores de desobsessão, quando não seja destinada a socorrer as vítimas da desorientação espiritual que lhe rondam as portas, para defesa e conservação de si mesma".

     Allan Kardec, no Projeto 1868, nos diz que "um dos maiores obstáculos capazes de retardar a propagação da Doutrina seria a falta de unidade".
Em se tratando de "prover a Sociedade de um local convenientemente situado e disposto para as reuniões e recepções", ressalta dentre outros itens, o terceiro, no qual temos o seguinte "um compartimento destinado às evocações íntimas, espécie de santuário, que não seria profanado por nenhuma ocupação estranha  ".

     Kardec também esclarece no artigo 17 de O Livro dos Médiuns, intitulado "Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas", que "as sessões serão particulares ou gerais; nunca serão públicas". Ele assinala que as reuniões particulares possibilitam "(...) os assuntos de estudo que mais tranqüilidade e concentração reclamem, ou que ela julgue conveniente aprofundar, antes de tratá-lo em presença de pessoas estranhas".

     Dentro deste raciocínio, André Luiz, na obra Conduta Espírita, nos informa:
Abster-se da realização de sessões públicas para assistência a desencarnados sofredores, de vez que semelhante procedimento é falta de caridade para com os próprios espíritos socorridos, que sentem torturados, o comentário crescente e malsão em torno de seu próprio infortúnio .

     Ainda segundo André Luiz, agora no livro Desobsessão, temos:
     A desobsessão abrange em si obra hospitalar das mais sérias.
     Compreenda-se que o espaço a ela destinado, entre quatro paredes, guarda a importância de uma enfermaria, com recursos adjacentes da Espiritualidade Maior para tratamento e socorro das mentes desencarnadas, ainda conturbadas ou infelizes.
     Arrede-se da desobsessão qualquer sentido de curiosidade intempestiva ou de formação espetaculosa.
     Coloquemo-nos no lugar dos desencarnados em desequilíbrio e entenderemos, de pronto, a inoportunidade da presença de qualquer pessoa estranha a obra assistencial dessa natureza. (...) Daí nasce o impositivo de absoluto isolamento hospitalar para o recinto dedicado a semelhantes serviços de socorro e esclarecimento, entendendo-se, desse modo, que a desobsessão, tanto quanto possível, deve ser praticada de preferência no templo espírita, ao invés de ambientes outros, de caráter particular .
   
     Vejamos outras considerações acerca do tema no capítulo 21 do mesmo livro:
     O serviço da desobsessão não é um departamento de trabalho para cortesias sociais que, embora respeitáveis, não se compadecem com a enfermagem espiritual a ser desenvolvida, a benefício de irmãos desencarnados que amargas dificuldades atormentam.
     Ainda assim, há casos em que companheiros da construção espírita-cristã, quando solicitem permissão para isso, podem ter acesso ao serviço, em caráter de observação construtiva; entretanto, é forçoso preservar o cuidado de não acolhê-los em grande número para que o clima vibratório da reunião não venha a sofrer mudanças inoportunas .

     Quanto à chegada inesperada de doentes, temos as seguintes considerações: Quando ocorrer (...) a chegada de enfermos ou de obsidiados sem aviso prévio, sejam adultos ou crianças, necessário que o discernimento do conjunto funcione, ativo. (...) O doente e os acompanhantes podem ser admitidos por momentos rápidos, na fase preparatória dos serviços programados, recebendo passes e orientação para que se dirijam a órgãos de assistência ou doutrinação competentes (...) Findo o socorro breve, retirar-se-ão do recinto .

     Ainda a respeito da privatividade da reunião mediúnica, retiramos de O Livro dos Médiuns o seguinte trecho: "Uma reunião é um ser coletivo, cujas qualidades e propriedades são a resultante das de seus membros e formam como que um feixe. Ora, este feixe tanto mais força terá, quanto mais homogêneo for" .

      Já no capítulo 4 da obra Obsessão-Desobsessão, temos:
     O ministério da desobsessão só deve ser realizado em equipe. (...) o bom êxito dos trabalhos de desobsessão depende muito da equipe de encarnados, que precisa estar ciente de suas responsabilidades.
     A equipe de encarnados tem assim funções específicas e de grande responsabilidade, mas, ela se submete, a seu turno, àquela outra equipe – a espiritual – que é em verdade a que dirige e orienta os trabalhos em todo o seu desenrolar.
     Quando o grupo de encarnados é harmônico, isto é, quando já está afeiçoado aos trabalhos de mediunidade socorrista e coloca-se como dócil instrumento a serviço dos Amigos Espirituais, a reunião cresce em produtividade, porque então as duas equipes trabalharão em consonância e a programação será executada de comum acordo (...) .

     No capítulo 2 da mesma obra, temos a seguinte colocação: "O aposento destinado à reunião de desobsessão é, dentro do Templo Espírita, o local onde são medicadas, mais diretamente, as almas".

     A respeito do livro Os Mensageiros, de André Luiz, quando, no capítulo 4, o autor espiritual nos fala sobre os desencarnados inconformados com o desencarne, Suely explica que:
     (...) A sala onde se realizam os trabalhos mediúnicos representa para tais seres a possibilidade de entrarem em contato com os que ainda estão na Terra e de receber destes as vibrações magnéticas que carecem.(...) Motivo pelo qual ele não é um trabalho para principiantes, visto que exige dos participantes a exata noção da gravidade dos momentos que ali serão vividos (...) Por isto é que jamais devem ser abertos ao público.

     A sala reservada para tais atividades foi comparada por André Luiz a uma sala cirúrgica, que requer isolamento, respeito, silêncio e assepsia, onde só entram os que se prepararam antecipadamente. Como também é isolada de olhares indiscretos e curiosos  .

      Hermínio C. Miranda, no livro Diálogo com as Sombras, nos diz que:
     (...) somente em casos excepcionais se justifica a presença de pessoas estranhas ao grupo, nos trabalhos de desobsessão. Sob condições normais, ela não é necessária à tarefa que nos incumbe junto aos obsidiados que buscam o socorro de um grupo mediúnico. (...) a presença de pessoas perturbadas, no ambiente onde se desenrola o trabalho mediúnico, pode provocar incidentes e dificuldades insuperáveis (...) como regra geral, deve ser preservada a intimidade do trabalho mediúnico. (...) o grupo pode perfeitamente assistir os companheiros encarnados sob a provação da obsessão, sem introduzi-los no seu ambiente de trabalho.(...) Os benfeitores espirituais dispõem de recursos mais seguros e eficazes para isso, não havendo necessidade de correr riscos indevidos .

     O Livro Série Evangelho e Espiritismo: Mediunidade, da UEM, esclarece quanto à seguinte pergunta: "As reuniões mediúnicas devem ou podem ser públicas?" E, sobre ela, tem-se a seguinte resposta: "De acordo com a Codificação, não devem ser públicas e também por uma questão de segurança e de caridade para com os necessitados".

     No livro Recordações da Mediunidade, Yvonne Pereira diz, com muita propriedade, que:
     (...) Não convirá ao obsidiado assistir às sessões realizadas a seu benefício durante o estado agudo do mal, nem o obsessor deverá ser doutrinado por seu intermédio.(...) O obsidiado, afeito às vibrações dominantes de seu opositor, não estará em condições de se prestar à comunicação normal necessária, é antes um enfermo necessitado de tratamento e não um médium, propriamente .

     O relato encontrado no capítulo "O Psicoscópio" do livro Nos Domínios da Mediunidade, também nos esclarece quanto à privacidade necessária a uma reunião mediúnica:
      – Esta é a casa espírita onde encontraremos nosso ponto básico de experiências e observações.
     Entramos.
     Atravessamos largo recinto, em que estacionavam numerosas entidades menos felizes de nosso plano; o orientador esclareceu:
     – Vemos aqui o salão consagrado aos ensinamentos públicos. Todavia, o núcleo que buscamos jaz situado em reduto íntimo, assim como o coração dentro do corpo. (grifos nossos)
     Escoados alguns instantes, penetramos acanhado aposento, onde se congregava reduzida assembléia, em silenciosa concentração mental.(...) Sabem que não devem abordar o mundo espiritual sem a atitude nobre e digna que lhes outorgará a possibilidade de atrair companhias edificantes... .

     Ainda sobre o tema proposto, temos os seguintes trechos:

     (...) a desobsessão deve ser praticada no templo espírita, ao invés de ambientes outros, de caráter particular. No templo espírita, os instrutores desencarnados conseguem localizar recursos avançados do plano espiritual para o socorro a obsidiados e obsessores  .

     Uma reunião mediúnica de caráter público é um risco desnecessário, porque vêm pessoas portadoras de sentimentos os mais diversos, que irão perturbar, invariavelmente, a operação da mediunidade.
     A reunião mediúnica não deve ser de caráter público, porque teria feição especulativa, exibicionista, destituída de finalidade superior, atitudes tais que vão de encontro negativamente aos postulados morais da doutrina .

     Obreiros devotados, sob a direção de técnicos e diretores (...) preparavam o recinto reservado à pratica dos fenômenos (...). Enquanto isso, foi solicitada ao diretor espiritual do Centro em questão a fineza de recomendar ao diretor espiritual terreno, por via mediúnica, absolutamente não permitir assistência leiga ou desatenciosa aos trabalhos daquela noite, os quais seriam importantes e delicados...

     Considerando todo material aqui reunido, podemos concluir que um grupo harmonizado com o trabalho mediúnico está preparado para compreender a angústia e a desarmonia dos espíritos comunicantes, não comprometendo, dessa forma, o equilíbrio e o andamento da tarefa. Todavia, se uma pessoa leiga participar de uma reunião mediúnica que não seja privada, com certeza, esse ato exigirá do plano espiritual cuidados adicionais para que a sessão possa se realizar de maneira harmônica, uma vez que muitas pessoas não estão preparadas para possíveis revelações que possam surgir, muitas vezes muito íntimas ou pessoais. O trabalho mediúnico, principalmente a reunião de desobsessão, como diz Hermínio Miranda, "não é para ser divulgado, nem exibido como espetáculo público".

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ANDRÉ LUIZ (Espírito). Desobsessão. [ditado pelo espírito André Luiz;  psicografado por  Francisco  Cândido  Xavier  e  Waldo  Vieira] – Rio de Janeiro: FEB, 1987, 9. ed., p.13, 77, 89, 95.

–––––––. Conduta Espírita. [ditado pelo espírito André Luiz; psicografado por Waldo Vieira] – Rio de Janeiro: FEB,1987, 13.ed., cap.24, p. 90.

–––––––. Nos Domínios da Mediunidade.  [ditado pelo espírito André Luiz; psicografado por Francisco Cândido Xavier] – Rio de Janeiro: FEB, 1985. 14.ed., cap. 2 , p. 21.

KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Rio de Janeiro: FEB, 2005, 37. ed., p.339.

–––––––. O Livro dos Médiuns. Rio de Janeiro: FEB, 2005, 75. ed., cap. XXX – art. 17-21, p. 448-9; cap. XIX, p. 427, item 331.

SCHUBERT, Suely C. Obsessão-Desobsessão. Rio de Janeiro:FEB,1995, 10.ed., cap. 4, p.134 – 3. parte.

MIRANDA, Hermínio. Diálogo com as Sombras. Rio de Janeiro: FEB, 1995, 9.ed., p.86.

UEM – União Espírita mineira. Série: Evangelho e Espiritismo - Mediunidade. Belo Horizonte: 1986.

PEREIRA, Yvonne A. Recordações da Mediunidade. Rio de Janeiro: FEB, 2002, 10. ed., item 6, p. 211.

–––––––. Memórias de um Suicida. Rio de Janeiro: FEB, 1987, 14. ed., cap.6, p.143.

FEB – Conselho Federativo. Orientação ao Centro Espírita. Brasília: FEB, 1988, 3.ed.  "Reunião de Desobsessão", cap. 6,  item 7 d.

FRANCO, Divaldo e TEIXEIRA, Raul. Diretrizes de Segurança. Niterói: Ed. Frater, 5.ed., p. 62, questão 42.

 





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