Monitor, coordenador e participante
03/03/2008

O monitor do ESDE

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O coordenador do ESDE
O participante do ESDE


O Monitor do ESDE e Suas Funções Pedagógicas

\"Mais do que nunca, portanto, se afigura a necessidade consciente do estudo espírita como veículo de libertação da
consciência e rota iluminativa na viagem da evolução\"
 
(Joanna de Ângelis/Divaldo Franco. In : Convites da Vida, Ed. LEAL,p. 66)

O estudo sistematizado da Doutrina Espírita é uma atividade essencialmente pedagógica, de longo alcance  no processo
de esclarecimento e tomada de posições da alma em seu processo de evolução.

De modo diverso de outras doutrinas, o Espiritismo \"cultiva o estudo, favorecendo o discernimento com largueza de vistas
em relação aos problemas intrincados da alma encarnada.\"
 
(Lins de Vasconcelos/ Divaldo Franco. In: Crestomatia da Imortalidade, Ed. LEAL, p.115)

 A tarefa do ESDE, nesse sentido, investe-se de uma responsabilidade por demais relevante, tanto no que se refere à missão
esclarecedora e consoladora junto aos seus participantes quanto no que diz respeito à formação sólida dos trabalhadores que
atuam no Movimento Espírita.

 O monitor assume, por conseqüência, uma função primordialmente educativa, a partir do entendimento de que a reunião do ESDE
 se constitui num momento de trabalho pedagógico, num verdadeiro processo de ensino-aprendizagem como atestam algumas de suas
características abaixo indicadas :

 a) O ESDE é um processo de ensino pois se caracteriza pelo desenvolvimento de certas capacidades intelectuais dos
participantes, com vistas ao domínio de conteúdos no âmbito teórico-prático;

\"O estudo espírita conduz o discípulo ao esclarecimento que é a base de segurança, condição precípua à paz.\"

(Joanna de Ângelis/ Divaldo Franco. Opus cit, p. 66)

b) O ESDE é um processo que visa alcançar resultados tais como a aquisição de CONHECIMENTOS, ATITUDES, HÁBITOS E CONVICÇÕES
e a conquista de funções psicológicas superiores tais como a atenção voluntária, a memória lógica, a formação de conceitos;
\"A auto-iluminação é filha do esclarecimento intelectual\".
 
(Lins de Vasconcelos/ Divaldo Franco. Opus cit, p.118)

c) O ESDE é um processo de caráter bilateral, ou seja, envolve monitor e participantes numa interação. Em outras palavras :
interagem no mesmo processo a transmissão e a assimilação ativa de conteúdos.

No desenvolvimento do trabalho pedagógico que executa, o monitor do ESDE deve buscar como objetivos educacionais primordiais:


? Assegurar aos participantes do ESDE o domínio seguro dos  ensinamentos espíritas;

? Criar condições e meios que estimulem o estudo e o trabalho intelectual dos participantes, com vistas ao seu
 desenvolvimento cognitivo, autonomia de aprendizado e liberdade de pensamento;

? Cuidar da visão integral da educação espírita, voltada para a formação da personalidade humana como um todo,
 auxiliando os participantes a encontrarem convicções norteadoras e ideais de vida, capazes de os auxiliar nas
 situações práticas da realidade existencial em que vivemos.

\"Impostergável, portanto, o compromisso que temos, todos nós, desencarnados e encarnados, de estudar e divulgar o Espiritismo
nas bases nobres com que no-lo apresentou Allan Kardec a fim de que o Consolador de que se faz instrumento não apenas enxugue
em nós os suores e as lágrimas, mas faça estancar nas fontes do sofrimento as causas de todas as aflições que produzem as
lágrimas e os suores\".

(Vianna de Carvalho/ Divaldo Franco.  In: Sementeira da Fraternidade,Ed. LEAL, p.)

Pelas afirmativas acima podemos desde já concluir que o grande objetivo do ESDE engloba razão e vontade, inteligência e
sabedoria, discernimento e vivência na direção da reforma íntima, no atendimento ao que prescreve a lei divina ou natural.
O estudo do conteúdo das obras espíritas só alcança de fato seu desiderato se puder se converter em roteiro de vida prática.
Para atender aos objetivos educacionais do ESDE, o coordenador/monitor precisa conscientizar-se quanto a algumas funções
 pedagógicas que  desempenha:

 FUNÇÃO MOTIVADORA : Todo processo educativo culmina  num processo de auto-educação exigindo, ainda que no caso de adultos,
a utilização de estratégias de motivação. Mostrar a importância do tema em estudo; levantar indagações preliminares que
estimulem a participação do grupo; ilustrar com fatos, notícias ou depoimentos atuais, apresentar situações e problemas
baseados no cotidiano, são algumas sugestões para \"fustigar\" a turma e tentar motivar os integrantes do estudo. 
Não se pode, todavia, esquecer que  grande parte da motivação da reunião de estudo concentra-se na postura íntima do monitor
e naquilo que ele \"transmite\" para o grupo. É oportuno registrar as sábias palavras de Jesus:

\"O homem bom, do bom tesouro do seu coração, tira o bem e o homem mau, do mau tesouro tira o mal; porque a sua boca o de que
está cheio o coração.\"(Lucas: 6-45)

FUNÇÃO INFORMATIVA : O monitor do ESDE é alguém que, espera-se, tem sólida     formação doutrinária que o habilita a
transmitir, com segurança, os conceitos espíritas. Isso significa dizer que os conhecimentos e informações a serem trabalhados
devem refletir o pensamento espírita antes que as deduções particulares à luz dessa ou daquela ideologia.   
Isto não significa que o ESDE esteja fechado a conteúdos restritos aos contidos na literatura espírita. Porém, qualquer
conteúdo a ser trabalhado como objeto de estudo, deve ser analisado à luz dos postulados e da contribuição conceitual que o
Espiritismo oferece. Diz     Emmanuel:

\"... A ciência do mundo, se não deseja continuar no papel de comparsa da tirania e da destruição, tem absoluta necessidade do
Espiritismo, cuja finalidade divina é a iluminação dos sentimentos, na sagrada melhoria das características morais do homem.\"

(Emmanuel /F.C.  Xavier. Opus cit, p. 23)

O estudo aprofundado do tema, a pesquisa bibliográfica, a \"digestão intelectual\" do assunto, o planejamento das atividades,
a escolha correta do material a ser manuseado, as seleções criteriosas dos conteúdos a serem explorados, são procedimentos
indispensáveis ao desempenho satisfatório dessa função para que se atinja os elevados objetivos do ESDE. Importa destacar
que, sem esse preparo, será muito difícil analisar os conteúdos de estudo, espíritas ou à luz do Espiritismo, de forma 
clara e satisfatória.
 Alerta-nos Kardec com relação ao Espiritismo: \"Sua força está na sua filosofia, no apelo que dirige à razão, ao bom senso.

\"O Livro dos Espíritos, conclusão, item 6".
Isto porque são os conceitos veiculados pelo Espiritismo que permitem, quando apropriados pelo indivíduo, uma mudança da
forma de ver, pensar e agir no mundo. É essa nova forma de leitura que precisa ser exercitada para que haja modificação de
conceitos e comportamentos gerados pelos assuntos discutidos do ESDE. Sem isso não haverá    cumprimento efetivo dos objetivos
propostos pelo ESTUDO SISTEMATIZADO DA DOUTRINA ESPÍRITA.

FUNÇÃO COMUNICATIVA : Dizia Santo Agostinho quando encarnado que ninguém     ensina ninguém, que o mestre só \"emite sinais\"
pois  a educação em si mesma seria um ato de iluminação interior. No entanto, para que os \"sinais\" possam ser captados
integralmente, necessitam de clareza para serem \"lidos\" pelos que os recebem. Ao monitor torna-se indispensável, além do
conhecimento doutrinário, a capacidade de comunicar-se através     de uma linguagem didática que oportunize a assimilação
ativa dos conteúdos.

FUNÇÃO SISTEMATIZADORA:

É papel do coordenador/monitor atuar como elemento catalisador de conceitos e conteúdos objetos do ESDE. Cabe a ele, pela
experiência que deve ter no trato doutrinário, modelar o caminho intelectual em conjunto com o grupo. Isto de modo a tornar
o estudo uma experiência de iluminação cognitiva. Para tanto ele precisa considerar a necessidade de:

? Inter-relacionar os conteúdos do estudo com os conhecimentos e experiências do cotidiano;
? Propiciar o questionamento desses conteúdos; e
? Construir uma base conceitual à luz da filosofia espírita, que gere a transformação moral e intelectual do ser.

FUNÇÃO FORMATIVA : 
Se a grande finalidade do conhecimento da Doutrina Espírita é a nossa reforma íntima, não se pode objetivar no ESDE o aspecto
exclusivamente intelectual da personalidade humana.
É certo que o progresso moral decorre, embora nem sempre siga imediatamente, o progresso intelectual, como nos informa O Livro
dos Espíritos em sua questão 780. No desdobramento da questão, os Espíritos Reveladores explicam que o progresso intelectual
auxilia o progresso moral na medida em que torna compreensíveis o bem e o mal,   desenvolvendo a inteligência e o livre arbítrio.
O papel da razão, na ótica espírita, não se resume às intrincadas operações cognitivas mas amplia-se na condição de farol a
direcionar a vontade no caminho das realizações do Espírito imortal. Por isso mesmo, todos os conceitos construídos pelo Espiritismo
têm como objetivo a melhoria total do indivíduo e do meio social em que ele vive, mediante a sua ação transformadora, engendrada por
aqueles mesmos conceitos.

Formar,  portanto, à luz do conhecimento espírita, significa libertar o indivíduo de seus atavismos intelectuais e morais,
fazendo-o enxergar a Natureza nos aspectos espirituais e físicos através do estudo se suas leis.  Desta forma, possibilitando
que o indivíduo seja o responsável pelo seu próprio crescimento.

FUNÇÃO DINAMIZADORA : Fato presente nos grupos de ESDE  é a evasão, ainda     que de baixo índice em alguns lugares. É que o
interesse e a motivação para o estudo nem sempre se mantêm em níveis desejados. O desânimo, o achar que já \"conhece suficientemente\"
o Espiritismo, reuniões rotineiras e mal conduzidas, influencias    obsessivas, compromissos sociais podem \"enfraquecer\" a vontade
de participar da reunião de estudo. Por essas e outras razões, o monitor não deve descuidar de sua função dinamizadora, buscando
sempre motivara turma através de estratégias aparentemente simples mas capazes de tornar \"diferente\" o estudo : atividades que
envolvam o movimento, atividades que trabalhem o campo da afetividade, jogos dramáticos,   músicas, pesquisa bibliográfica,
entrevistas, vídeos, filmes, dentre outras.

FUNÇÃO AVALIATIVA :

Todas as funções acima descritas, no entanto, só poderão ser desenvolvidas a contento se o trabalho do ESDE - inclusive a
\"performance\" do monitor e do grupo - for continuamente avaliado. A avaliação desempenha um papel de diagnóstico, acompanhamento,
fornecendo elementos direcionadores para a melhoria da atividade.     Estratégias inúmeras podem ser utilizadas, entre as quais:
questionário, feedback verbal, reuniões para análise de desempenho, etc.

CONCLUSÃO

Após as considerações acima podemos apresentar de modo sumário alguns pontos para reflexão :

? O ESDE, enquanto prática educativa, deve nortear-se pelos princípios e objetivos educacionais propostos pelo Evangelho
 de Jesus e pela  Doutrina Espírita;
? A reunião de estudo é um momento essencialmente pedagógico, com  objetivos específicos definidos e, por isso mesmo,
 reclama do monitor a conscientização de sua função educacional como elemento coordenador, facilitador e sistematizador
 do processo de ensino-aprendizagem;
? A formação pedagógica do monitor deve ser encarada como um processo a  ser conquistado ao longo de sua intervenção em
 sala de aula, através do estudo, do aprimoramento e do compromisso no aprofundamento teórico-prático do Espiritismo;
? Os programas, roteiros, pesquisas bibliográficas, cursos, treinamentos, materiais de suporte, necessitam ser encarados
 como elementos de vital importância para a melhoria da atividade do ESDE, como ferramentas facilitadoras para o desempenho
 das funções pedagógicas do monitor.
? Finalmente, estamos todos, coordenadores, monitores, participantes, em busca dos mesmos objetivos, nos devendo, como
 anunciava o apóstolo Paulo \"o amor recíproco\", o que significa dizer, a cooperação, o respeito e a construção coletiva 
 da nossa obra evolutiva.

Bibliografia

[1]  - GOLDBARG, Marco Cesar - TIMES _ Ferramenta eficaz para a Qualidade
Total. pp. 130 . 1ª ed. Makrom Books. São Paulo. 1995.

[2]  - BRUNGARDT, Curt  e C.B. CRAWFORD - in \"A Comprehensive Approach To
Assessing Leadership Students And Programs\" - paper publicado pela  Fort
Hays State University. 1996.

[3] - GOLDBARG. opus cit. pp. 133-139.

[4]  - GOLDBARG. opus cit. pp 149.

[5]  - Departamento de Estudo Sistematizado da Federação Espírita do RN.





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