Pioneiros
31/12/2007
Honório Onofre de Abreu
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No último dia 13 de novembro, às 11 horas da manhã, partia da Terra, no rumo da Espiritualidade Superior, o nobre irmão e abnegado servidor do Cristo na Seara do Consolador, Honório Onofre de Abreu, presidente da União Espírita Mineira.
Desde o dia 24 de setembro, quando foi internado no Hospital Biocor, experimentou dificuldades orgânicas que se complicaram, ora permanecendo em casa, sob os cuidados de familiares carinhosos, ora no Hospital referido, onde se submeteu a intervenção cirúrgica no dia 31 de outubro. Suportou a intervenção, mas uma pneumonia o reconduziu ao CTI, onde sofreu a parada cardíaca que o libertou definitivamente do jugo carnal.
Seu último compromisso público se deu em Brasília, de 21 a 23/09/07, junto de amigos da Sociedade Espírita Irmã Rosália e da Federação Espírita Brasileira, para onde seguiu ao lado do
médium Wagner Gomes da Paixão e do confrade Carlos Alberto Evangelista Ferreira. Aquela festa de luz e fraternidade cristã bem parecia uma despedida, já que, acompanhado de Nestor Masotti
e sua esposa Maria Euny, de Marta Antunes e seu esposo Luís, de João Rabelo e sua esposa Carmen, pôde, por última vez, conversar e abraçá-los e a outros confrades muito queridos, como
Cecília Rocha, César Perri e familiares, selando a união responsável e fraternal de Minas Gerais com a Instituição que representa os espíritas brasileiros diante do Mundo.
Honório nasceu em Belo Horizonte, a 12 de junho de 1930. Filho de Joaquim Honório de Abreu e Ana Maria Abreu, recebeu de seu pai, que descobrira no Espiritismo o roteiro de iluminação pessoal, o incentivo que o tornaria ardoroso pesquisador da Verdade e abnegado divulgador do Cristianismo Redivivo. Após ingressar no Banco do Brasil, onde exerceu funções relevantes, casou-se em 22 de julho de 1953 com Nilza Ferreira de Abreu, cuja família se completa com as filhas Denise e Eliane. Ao lado da esposa, de alguns de seus irmãos e de amigos que à sua família se associaram na empreitada de luz, como Leão Zállio e José Damasceno Sobral, ajudou a fundar o Grupo Espírita Emmanuel, em 1º de novembro de 1957. Sob a irradiação do benfeitor eleito por patrono do novo
núcleo, dedicaram-se aos estudos doutrinários e evangélicos, tanto quanto às atividades caritativas que constituem âncora de equilíbrio e inspiração à vivência real do amor.
O tempo reacendeu em Honório o ideal sublimante da evangelização profunda. Às claridades da Terceira Revelação, o sincero cultor da Verdade se destacou pela segurança e sabedoria no trato com os princípios espíritas, utilizando-os, como poucos, para extrair do Evangelho, quanto do Velho Testamento, o espírito que vivifica. Dedicou-se também, com infinito carinho, à evangelização infanto-juvenil, viajando por muitos e muitos anos, em tarefa de divulgação e formação de trabalhadores, por todo o País.
Reconhecido pela imensa comunidade que, ao longo de tantas décadas, dele recebeu verdadeira iniciação para compreender a Mensagem de Jesus em sua essencialidade, fez-se autoridade inquestionável para os assuntos mais complexos da Doutrina Espírita, do Antigo Testamento e, principalmente, da Boa Nova de Jesus. Notabilizou-se também pelos estudos sistematizados sobre o tema Evolução, merecendo destaque os anos dedicados, no Grupo Emmanuel, aos sábados pela
manhã, para exploração dos versículos do livro Apocalipse, de João — material devidamente gravado e já transcrito, para oportuno usufruto da Comunidade Espírita. O fruto sazonado de suas experiências doutrinário-evangélicas igualmente redundou na formação da obra \"Luz Imperecível\", publicada pela União Espírita Mineira e já em 5ª edição. Convidado pela FEB, coordenou com inspiração e zelo duas apostilas do EADE – Estudo Aprofundado de Doutrina Espírita, aspecto religioso, que vêm se tornando instrumento eficiente de estudo criterioso e dinâmico de inúmeras passagens do Novo Testamento.
Conhecido no Brasil e no Exterior como homem probo, sábio e dedicado à Causa da Luz, testemunhou, seja em família, na profissão, na vida social ou na Seara Espírita, sua honradez,
sua liderança pacifista, aglutinadora, inspirada. Atuou por muitos anos como Diretor para Assuntos de Unificação da Federativa Mineira, até que, a convite do presidente do Conselho Deliberativo da UEM, à época Dr. Bady Elias Curi, e por unanimidade de votos, foi eleito presidente da Casa-Máter
do Espiritismo nas Alterosas, em dezembro de 2002, cargo que honrou e exerceu com admirável integridade moral até o dia de sua desencarnação.
Seu discernimento doutrinário e sua prudência administrativa, caridosa, assinalaram à UEM um período de bênçãos e harmonia, permitindo ao Movimento Organizado um surto de realizações fecundas e abençoadas, de valorização do Espiritismo sério, com Allan Kardec e Jesus Cristo. Preparou com denodo e puro idealismo, junto às comissões de trabalho já definidas, o IV Congresso Espírita Mineiro, a se realizar de 3 a 6 de abril de 2008, em comemoração ao Centenário da União Espírita Mineira. Com sua indiscutível capacidade de liderança e harmonização, promoveu a aquisição do terreno para a edificação do novo prédio da Federativa Mineira, cujo projeto, já pronto, deverá, dentro em breve, ser apresentado ao Conselho de Administração.
Os espíritas mineiros e os confrades do Brasil e do exterior que o conheceram, ficaram bastante consternados, porque certamente ele deixará uma lacuna no nosso meio, mas permanecerá como inspiração a todos a agirem como ele, dando tudo o que possuía para unir e pacificar, exemplificar e redimir.
Ao enterramento de seu corpo físico no Cemitério da Paz, na Capital mineira, uma multidão de amigos e admiradores acorreu, emocionada. Entre preces de reconhecimento e saudade, o Coral Scheilla entoou lindos cânticos e, às 11 horas da manhã do dia 14 de novembro, sob luzes cariciosas e em meio à vibração agradecida de centenas de amigos, esse servidor leal do Cristo teve a sua missão concluída na Terra!
Fonte: Jornal \"O Espírita Mineiro\" nº 300