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24/07/2007

Convite à Palavra



\"... Porque a sua boca fala o de que está cheio o coração.\" (Lucas: 6-45)

Instrumento valioso é a palavra, doação divina, para o elevado ministério do intercâmbio entre os homens.

Resultado de notáveis experiências, o homem nem sempre a utiliza devidamente, dominado pela leviandade.

Embora o ser humano, com raras exceções expiatórias, seja dotado do recurso vocálico, somente poucos dele se servem com a necessária sabedoria, de modo a construir esperanças, balsamizar dores e traçar rotas de segurança.

Fala-se muito por falar, \"mata-se o tempo\".

A palavra, não poucas vezes, se converte em estilete da impiedade, em lâmina da maledicência, em bisturi da revolta e golpeia às cegas ao império das torpes paixões.

No entanto, pode modificar estruturas morais, partindo dos ensaios da tolerância às materializações do amor.

Falando e lutando insistentemente, Demóstenes tornou-se o insigne orador e construtor de conceitos lapidares dos tempos antigos, vencendo a gagueira, qual Webster ante a timidez, nos tempos hodiernos, na América do Norte...

Falando, heróis e snatos reformularam os alicerces da idiossincracia ancestral, colocando alicerces para a Era Malhor.

Falando, não há muito, Hitler hipnotizou multidões enceguecidas que se atiraram sobre Nações inermes, transformando-as em ruínas por onde passavam as sombras dos sofrimentos humanos...

Guerras e planos de paz sofrem a poderosa força da palavra.

De tal forma é importante que os modernos governantes do Mundo, envidando esforços titâncos, modificaram as bases da Diplomacia Universal, visitando-se reciprocamente para conversar.

A palavra, todavia, deve pertir das fontes do pensamento luarizado pelo Evangelho.

Há quem pronuncie palavras doces, com lábios tisnados por fel; há quem sorria, embora chorando; há aqueles que falam meigamente, cheios de ira e ódio... Mas esses são enfermos em demorado processo de reajuste.

Desculpa a fragilidade alheia, lembrando-te das próprias fraquezas.

Evita a censura.

A maledicência começa na palavra do reproche inoportuno.

Se desejas educar, reparar erros, não os abordes estando o responsável ausente.

Toda palavra torpe, como qualquer censura contumaz, faz-se hábito negativo que culmina por evilecer o caráter de quem com isso se compraz.

Enriquece o coração de amor e banha o cérebro com as luzes da misericórdia divina e da sabedoria, a fim de que fales, e fales muito, \"o de que está cheio o coração.\"




Joanna de Ângelis
Do livro \"Convites da Vida\", por Divaldo P. Franco / Cap. 35




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